Perspectivas onomasiológica e semasiológica nos estudos de neologia

Bruno Oliveira Maroneze, João Henrique Lara Ganança

Resumo


Este trabalho visa apresentar uma proposta teórico-metodológica de aplicação dos conceitos de onomasiologia e semasiologia para os estudos de neologia. Entendemos que a criação de um neologismo pode ser encarada como um processo onomasiológico (do conceito à denominação) e a interpretação de um neologismo, como um processo semasiológico (da denominação ao conceito). Em outros termos, o criador de um neologismo parte do conceito que tem em mente para encontrar a melhor forma de expressá-lo linguisticamente (onomasiologia); já o decodificador de um neologismo parte de uma expressão neológica para identificar o(s) significado(s) pretendido(s) por ela (semasiologia). Ao analisar o neologismo sob uma ou outra perspectivas, diferentes questões podem ser propostas: a) onomasiologicamente: quais são os recursos linguísticos à disposição do falante para criar um neologismo com o significado pretendido; quais recursos são mais adequados às intenções comunicativas específicas do criador do neologismo; que fatores fonológicos, sintáticos, semânticos, entre outros, influenciam a escolha do mecanismo de criação lexical; e b) semasiologicamente: quais são os significados possíveis de determinado neologismo; de quais mecanismos o ouvinte pode lançar mão para interpretar adequadamente o neologismo; etc. Exemplificamos nossa argumentação com a análise de neologismos integrantes da Base de neologismos do português brasileiro contemporâneo e do corpus composto por textos de blogues jornalísticos diversos que integram a dissertação de Ganança (2017).


Palavras-chave


Neologia. Onomasiologia. Semasiologia. Morfologia. Semântica lexical.

Texto completo:

PDF

Referências


ALVES, Ieda Maria. Neologismo. Criação lexical. 2. ed. São Paulo: Ática, 2004a.

ALVES, Ieda Maria. A unidade lexical neológica: do histórico-social ao morfológico. In: ISQUERDO, Aparecida Negri e KRIEGER, Maria da Graça (orgs.). As ciências do léxico. v. II. Campo Grande: Ed. UFMS, 2004b. p. 77-87.

ALVES, Ieda Maria. Um estudo sobre a neologia lexical: os microssistemas prefixais do português contemporâneo. 2000. 365 f. Tese (Livre-Docência em Lexicologia e Terminologia) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.

ALVES, Ieda Maria. Neologia e Tecnoletos. In: OLIVEIRA, Ana Maria Pinto Pires de; ISQUERDO, Aparecida Negri (orgs.) As ciências do léxico: lexicologia, lexicografia, terminologia. Campo Grande: Ed. UFMS, 1998.

AREÁN-GARCÍA, Nilsa. Estudo comparativo de aspectos semânticos do sufixo -ista no português e no galego. 2007. 2 v. Dissertação (Mestrado em Filologia e Língua Portuguesa) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo: FFLCH USP, 2007. Disponível em: . Acesso em: 04 jan 2011.

BLANK, Andreas. Why do new meanings occur? A cognitive typology of the motivations for lexical semantic change. In: BLANK, Andreas; KOCH, Peter (orgs.) Historical Semantics and cognition. Berlin/New York: Mouton de Gruyter, 1999. p. 61-89.

COLETI, Joel Sossai; ALMEIDA, Gladis Maria de Barcellos. Aspectos morfológicos da terminologia da nanociência e nanotecnologia. Filologia e Linguística Portuguesa, v. 12, n. 2, p. 271-294, 2010.

CROFT, William; CRUSE, D. Alan. Cognitive Linguistics. Cambridge: CUP, 2004.

CRUSE, D. Alan. Meaning in language. An introduction to Semantics and Pragmatics. Oxford: Oxford University Press, 2000.

CUNHA, Celso; CINTRA, Luís Filipe Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

FREITAS, Érica Santos Soares de. Em busca do mento perdido. Análise semântico-diacrônica do sufixo -mento, no português. 2008. 2 v. Dissertação (Mestrado em Filologia e Língua Portuguesa) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo: FFLCH USP, 2008. Disponível em: . Acesso em: 04 jan 2011.

GANANÇA, João Henrique Lara. Um estudo da prefixação em unidades lexicais neológicas coletadas de blogs da internet. 2017. 276 f. Dissertação (Mestrado em Filologia e Língua Portuguesa) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.

GEERAERTS, Dirk. Diachronic Prototype Semantics. Oxford: Clarendon Press, 1997.

GONÇALVES, Anielle Aparecida Gomes. Diacronia e produtividade dos sufixos -agem, -igem, -ugem, -ádego, -ádigo e -ádiga no português. 2009. Dissertação (Mestrado em Filologia e Língua Portuguesa) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo: FFLCH USP, 2009. Disponível em: . Acesso em: 04 jan 2011.

LACOTIZ, Andréa. Valores semânticos dos sufixos -ança/-ença -ância/-ência no português. 2007. Dissertação (Mestrado em Filologia e Língua Portuguesa) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo: FFLCH USP, 2007. Disponível em: . Acesso em: 04 jan 2011.

LAKOFF, George; JOHNSON, Mark. Metáforas da vida cotidiana. Coord. da trad. Mara Sophia Zanotto. Campinas: Mercado de Letras; São Paulo: EDUC, 2002.

LANGACKER, Ronald W. Cognitive Grammar: a basic introduction. New York: Oxford University Press, 2008.

LANGACKER, Ronald W. Foundations of Cognitive Grammar: descriptive application. Stanford: Stanford University Press, 1991.

LAPA, M. Rodrigues. Estilística da língua portuguesa. 5. ed. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1968.

MARONEZE, Bruno Oliveira. Um estudo da mudança de classe gramatical em unidades lexicais neológicas. 2011. 199 f. Tese (Doutorado em Filologia e Língua Portuguesa) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011.

MARONEZE, Bruno Oliveira. Um estudo da nominalização no Português do Brasil com base em unidades lexicais neológicas. 2005. 191 f. Dissertação (Mestrado em Filologia e Língua Portuguesa) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.

MARTINS, Nilce Sant’Anna. Introdução à Estilística. 2. ed. São Paulo: T. A. Queiroz, 1997.

PANTHER, Klaus-Uwe; RADDEN, Günther (eds.) Metonymy in language and thought. Amsterdam: John Benjamins, 1999.

PLAG, Ingo. Word-Formation in English. Cambridge: CUP, 2003.

RAINER, Franz. Semantic change in word formation. Linguistics v. 43,n. 2, p. 415-441, 2005.

ROCHA, Luiz Carlos de Assis. A nominalização no português do Brasil. Revista de Estudos da Linguagem. Belo Horizonte, v. 8, n. 1, p. 5-52, 1999.

SILVA, Augusto Soares da. O mundo dos sentidos em português. Polissemia, semântica e cognição. Coimbra: Almedina, 2006.

SIMÕES, Lisângela. Estudo semântico e diacrônico do sufixo ‘-dade’ na língua portuguesa. 2009. Dissertação (Mestrado em Filologia e Língua Portuguesa) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo: FFLCH USP, 2009. Disponível em: . Acesso em: 04 jan 2011.

ŠTEKAUER, Pavol. Fundamental principles of an onomasiological theory of English word-formation. Onomasiology Online n. 2, 2001. Disponível em: . Acesso em: 04 jan 2011.

VIARO, Mário Eduardo. Problemas de morfologia e semântica histórica do sufixo -eiro. Estudos Lingüísticos. São Paulo, v. 35, p. 1443-1452, 2006.




DOI: https://doi.org/10.24206/lh.v6i1.31296

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 LaborHistórico

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

Licença Creative Commons

A Revista LaborHistórico da Universidade Federal do Rio de Janeiro está licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.