Processos criminais como fonte de análise linguística
a concordância na pena de escrivães do século XIX
DOI:
https://doi.org/10.24206/lh.v12i1.70096Palavras-chave:
Processos criminais, Peças processuais, Concordância, Século XIX, Província de São PauloResumo
Este artigo tem como objetivo examinar a variação estrutural e gramatical em cinco processos criminais do século XIX, lavrados em quatro cidades do interior da Província de São Paulo. Mais especificamente, são estudados quatro tipos de peças protocolares que compõem os processos: Data, Publicação, Remessa e Recebimento. Por serem textos considerados formulaicos, não se espera, a princípio, encontrar variação, mas, sim, modelos mais fixos quanto à sua estruturação e o uso de variantes linguísticas. Contrariamente à expectativa, observamos uma variação significativa nas variantes de concordância, sendo identificada a alternância, no punho dos escrivães, entre a Concordância Plena (CP), como em me foram entregues estes autos, e a Concordância Zero (CØ), como em me foi entregue estes autos. Identificamos também variação estrutural e de concordância numa das peças (Remessa), cuja fórmula geralmente se inicia por faço remessa destes autos, seguida de uma estrutura variável: ora a ser entregue (CØ), ora a serem entregues (CP), ou ainda para proceder, do que para constar faço esta termo, entre outras formas. A presença de variação em peças mais formulaicas revela tanto a heterogeneidade entre escrivães quanto o fato de textos da esfera jurídica estarem sujeitos à variação e à mudança, ainda que em ritmo mais lento do que outros tipos de texto.
Downloads
Referências
ABREU, Mariane Soares Torres de (ed.). Anno de 1860 Subdelegaçia da Villa de Indaiatuba (...). Campinas, 2025. (edição do manuscrito em andamento, ms.).
Acervo Digital do Arquivo Histórico de Jundiaí. https://jundiai.sismu.app/. Acesso em 28 out. 2024.
Acervo Digital do Tribunal Federal Regional - 3a Região - São Paulo. https://acervo.trf3.jus.br/index.php/. Acesso em 2 jul. 2025.
BELLOTTO, Heloísa Liberalli Como fazer análise diplomática e análise tipológica de documento de arquivo. São Paulo: Arquivo do Estado, 2002.
CASTILHO, Ataliba Teixeira de. Nova Gramática do Português Brasileiro. São Paulo: Contexto, 2010.
CASTILHO, Ataliba Teixeira de. Linguística Histórica e a História do Português Brasileiro. In: CASTILHO, Ataliba Teixeira de. História do Português Brasileiro. Vol. 1, São Paulo: Contexto, 2019. p. 10-31.
DIAS, Carla Regiane. E morreo curado por pózez e raízes: edição semidiplomática e estudo de um processo-crime de feitiçaria e homicídio no Brasil Império (século XIX). 2017. Dissertação (Mestrado em Filologia e Língua Portuguesa) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-03032017-114125/publico/2017_CarlaRegianeDias_VCorr.pdf. Acesso em: 24 abr. 2025.
DIAS, Carla Regiane. Escravizados e forca: a (im)parcialidade da justiça no século XIX na perspectiva da Linguística. Tese (Doutorado em Filologia e Língua Portuguesa) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2023. Disponível em: Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-13032024-121748/publico/2023_CarlaRegianeDias_VCorrig.pdf. Acesso em: 14 ago. 2025.
DORES, Marcus Vinícius Pereira das; OLIVEIRA, Christiane Benones; MENDES, Soélis Teixeira do Prado. A concordância variável em manuscritos civis e eclesiásticos de Minas Gerais. Revista da Abralin, v. 16, n. 3, p. 265-278, 2017. Disponível em https://revista.abralin.org/index.php/abralin/article/view/448. Acesso 12. abr. 2025.
DORES, Marcus Vinícius Pereira das; MENDES, Soélis Teixeira do Prado. Edição e análise de fenômenos linguísticos presentes em um manuscrito eclesiástico setecentista de Minas Colônia. Filologia e Linguística Portuguesa (Online), v. 20, p. 175-189, 2018. Disponível em: https://revistas.usp.br/flp/article/view/148884. Acesso em: 23 abr. 2025.
KEWITZ, Verena; SIMÕES, José da Silva. Características e potencialidades dos corpora do português paulista. In: CASTILHO, Ataliba Teixeira de. (Org.). História do Português Brasileiro: Corpus diacrônico do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2019. v. 2, p. 244-292.
MARTINS, Ana Maria (coord.). CORDIAL-SIN: Corpus Dialetal para o Estudo da Sintaxe. Lisboa, CLUL, 1999-2022. Disponível em: https://www.clul.ulisboa.pt/projeto/cordial-sin-corpus-dialectal-para-o-estudo-da-sintaxe https://cordialsin.wordpress.com/. Acesso em: 15 set. 2025.
MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia. O português arcaico: Fonologia, morfologia e sintaxe. São Paulo: Contexto, 2006.
MORAES DE CASTILHO, Célia Maria A concordância nos inventários do séc. XVII. In: CASTILHO, Ataliba Teixeira de (Org.) História do Português Paulista: Série Estudos, vol. I. Campinas: IEL Publicações/FAPESP, 2009. p. 333-350.
MORAIS, Kathlin Carla de. 'Damos aos suplicantes os chãos que pede': edição fac-similar e semidiplomática e estudo do manuscrito Cartas de Datas de Jundiaí do século XVII. Dissertação (Mestrado em Filologia e Língua Portuguesa) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-06092018-132504/pt-br.php. Acesso em: 17 dez. 2024.
NARO, Anthony; SCHERRE, Maria Marta. Origens do português brasileiro. São Paulo: Parábola, 2007.
OESTERREICHER, Wulf. Progressos recentes no campo da linguística diacrônica de corpus. A historicidade da linguagem: idioma, variedades e tradições discursivas no marco de uma semiótica social. In: SANTIAGO-ALMEIDA, Manoel Mourivaldo; LIMA-HERNANDES, M. C. (Orgs.) História do Português Paulista: Série Estudos, vol. III. Campinas: IEL Publicações/FAPESP, 2012. p. 73-86.
PIMENTA BUENO, José A. Apontamentos sobre o processo criminal brasileiro. 2. ed. Correcta e augmentada. Rio de Janeiro: Empreza Nacional do Diario, 1857.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Verena Kewitz, Mariane Soares Torres de Abreu, Carla Regiane Dias

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Os autores que publicam nesta revista concordam com o seguinte:
a. Os autores detêm os direitos autorais dos artigos publicados; os autores são os únicos responsáveis pelo conteúdo dos trabalhos publicados; o trabalho publicado está licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional, que permite o compartilhamento da publicação desde que haja o reconhecimento de autoria e da publicação pela Revista LaborHistórico.
b. Em caso de uma segunda publicação, é obrigatório reconhecer a primeira publicação da Revista LaborHistórico.
c. Os autores podem publicar e distribuir seus trabalhos (por exemplo, em repositórios institucionais, sites e perfis pessoais) a qualquer momento, após o processo editorial da Revista LaborHistórico.