Processos criminais como fonte de análise linguística

a concordância na pena de escrivães do século XIX

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24206/lh.v12i1.70096

Palavras-chave:

Processos criminais, Peças processuais, Concordância, Século XIX, Província de São Paulo

Resumo

Este artigo tem como objetivo examinar a variação estrutural e gramatical em cinco processos criminais do século XIX, lavrados em quatro cidades do interior da Província de São Paulo. Mais especificamente, são estudados quatro tipos de peças protocolares que compõem os processos: Data, Publicação, Remessa e Recebimento. Por serem textos considerados formulaicos, não se espera, a princípio, encontrar variação, mas, sim, modelos mais fixos quanto à sua estruturação e o uso de variantes linguísticas. Contrariamente à expectativa, observamos uma variação significativa nas variantes de concordância, sendo identificada a alternância, no punho dos escrivães, entre a Concordância Plena (CP), como em me foram entregues estes autos, e a Concordância Zero (CØ), como em me foi entregue estes autos. Identificamos também variação estrutural e de concordância numa das peças (Remessa), cuja fórmula geralmente se inicia por faço remessa destes autos, seguida de uma estrutura variável: ora a ser entregue (CØ), ora a serem entregues (CP), ou ainda para proceder, do que para constar faço esta termo, entre outras formas. A presença de variação em peças mais formulaicas revela tanto a heterogeneidade entre escrivães quanto o fato de textos da esfera jurídica estarem sujeitos à variação e à mudança, ainda que em ritmo mais lento do que outros tipos de texto.

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Biografia do Autor

Verena Kewitz, Universidade de São Paulo

Resumo da biografia: Graduada em Letras pela Universidade de São Paulo (1997), mestre e doutorada em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo e Pós-doutora em Linguística pela UNICAMP. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: Abordagem multissistêmica da língua, História do Português Brasileiro e Paulista, Estudos de Língua Falada, Linguística Cognitiva, Semântica Cognitiva, Tradições Discursivas, Estudos de Sintaxe, Levantamento e edição de corpora do Projeto de História do Português Paulista (PHPP I e II) e Projeto Para a História do Português Brasileiro (PHPB) desde 1997.

Mariane Soares Torres de Abreu, Universidade de São Paulo

Mestre e doutoranda em Filologia e Língua portuguesa (DLCV-FFLCH), na Universidade de São Paulo.

Carla Regiane Dias, Universidade de São Paulo

Doutora em Filologia e Língua portuguesa pela Universidade de São Paulo.

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Publicado

30-05-2026

Edição

Seção

Artigos Dossiê “Metodologia de Organização de Corpora Diacrônicos para Pesquisas em Sociolinguística Histórica”