Renovação do Léxico no Português brasileiro e europeu. Da neologia técnico-científica à neologia expressiva, humorística, lúdica

Graça Rio-Torto

Resumo


O presente estudo descreve os processos de renovação do Léxico do Português — com destaque para o Português do Brasil e para o Português Europeu —, na língua corrente, em alguns léxicos técnico-científicos e na neologia marcada pela expressividade, subjectividade, ludicidade. O presente estudo começa por descrever os processos mais estabilizados, amplamente presentes na neologia técnico-científica, e centra-se depois nos processos mais inovadores e, como tal, menos estabilizados, que envolvem a emergência de marcas de ludicidade/jocosidade e de expressividade em sufixos e em formativos, a ressignificação de sufixos por via da subjectificação, a recategorização de formativos, o recurso à ‘fusão vocabular expressiva’ e a emergência de novos formativos com poder expressivo. Focando-se na história recente do léxico, o recorte temporal dominante é o do português contemporâneo, ainda que sejam feitas remissões para outros períodos da história da língua, quando relevante.


Palavras-chave


Neologia. Léxico. Subjectificação. Recategorização. Expressividade.

Texto completo:

PDF

Referências


ALVES, Ieda. A neologia do Português brasileiro de 1990 a 2009: tradição e mudança. In: ALVES, Ieda (Org.). Neologia e neologismos em diferentes perspectivas. São Paulo: Paulistana Editora/CNPq, 2010. p. 63-82.

ALVES, Ieda. Um estudo sobre a neologia lexical: os microssistemas prefixais do português contemporâneo. Tese (Livre-Docência). São Paulo, Universidade de São Paulo, 2000.

ANTUNES, Mafalda; CORREIA, Margarita. Novos formantes da língua portuguesa: análise dos fractoconstituintes presentes no ONP. In: ALVES, Ieda (org.) Neologia e neologismos em diferentes perspectivas. São Paulo: Paulistana Editora/CNPq, 2010. p. 147-172.

ANTUNES, Mafalda; CORREIA, Margarita; ANTUNES, Vanessa. Neologismos científicos e técnicos na imprensa generalista. Revista Entrelinhas, vol. 6, n. 1, p. 4-21, jan./jun. 2012.

BASÍLIO, Margarida. Fusão vocabular expressiva: um estudo da produtividade e da criatividade. In: Textos Seleccionados do XXV Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística. Porto, APL, 2010, p. 201-21.

CAPUCHO, José Paiva. Uma tarde com Monteiro. Revista Sábado nº 816, 19-23 dezembro 2019, p. 58.

CASTRO, A. Ferreira de. A gíria dos estudantes de Coimbra. Coimbra, FLUC, 1947.

CORREIA, Margarita et al. O Observatório de Neologia do Português – ONP: criação e apresentação. In: Actas do XX Encontro da Associação Portuguesa de Linguística, Lisboa, APL, 2004, p. 471-482.

CORREIA, Margarita; ALMEIDA, Gladis Maria de Barcellos. Neologia em português. São Paulo. Parábola Editorial. 2012.

DAVIES, Mark; FERREIRA, Michael /www.corpusdoportugues.org/ [acessado 29 jan. 2020]

GONÇALVES, Carlos Alexandre. Paitrocínio, tecno-macumba, maridoteca: o comportamento das formas combinatórias no português do Brasil. Revista da ABRALIN, v.10, n.2, p. 67-90, jul./dez. 2011.

GONÇALVES, Carlos Alexandre. A ambimorfemia de cruzamentos vocabulares: uma abordagem por ranking de restrições. Revista da ABRALIN 1&2, p. 169-183, 2006.

GONÇALVES, Carlos Alexandre. Atuais Tendências em Formação de Palavras no Português Brasileiro. SIGNUM: Estud. Ling., Londrina, n. 15/1, p. 169-199, jun., 2012.

GONÇALVES, Carlos Alexandre. Atuais tendências em formação de palavras. São Paulo: Contexto, 2016.

LÍNGUA AFIADA. Disponível em: https://linguaafiada.blogs.sapo.pt Fatia Mor 30.10.2018. Acesso em: 30 out 2018.

LOPES, Mailson. Estudo histórico-comparativo da prefixação no galego-português e no castelhano arcaicos (séculos XIII-XVI): aspectos morfolexicais, semânticos e etimológicos. Tese (Doutorado em regime de cotutela). Universidade Federal da Bahia (orientação de Juliana Soledade Barbosa Coelho) e Universidade de Coimbra (orientação de Graça RIO-TORTO), 2018.

MAÇÃS, Delmira. Ironia e depreciação na língua portuguesa. A propósito da obra 'Contribuição para uma estilística da ironia'. Separata da Revista Portuguesa de Filologia, vol. XIV. Coimbra, 1967.

MACHUNGO, Inês. Estratégias de criação lexical no Português de Moçambique: aspectos da derivação sufixal. Revista Científica da UEM, série Letras e Ciências sociais, vol. 1, p. 104-117, 2015.

MARONEZE, Bruno. A expressão da afetividade em neologismos por sufixação. In: ALVES, Ieda (Org.) Neologia e neologismos em diferentes perspectivas. São Paulo: Paulistana Editora/CNPq, 2010. p. 121-145.

MARTINS, Ilídio. Esmaltes e Jóias. Um blogue onde escrevo sobre o que me apetece, quando me apetece. Disponível em: http://ilidiomartins.blogspot.com/2019/07/bonifacio-e-as-generalizacoes.html. Acesso em: 16 jul 2019.

OBSERVATÓRIO DE NEOLOGISMOS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO. Disponível em: http://ccint.fflch.usp.br/observatorio-de-neologismos-do-portugues-brasileiro-contemporaneo. Acesso em: 5 fev 2019.

PATRAO BURGUER . Disponível em: https://www.google.com/search?q=patraoburguer.com.br+%E2%80%BA+patrao-burguer-p-tradicional-p-franburguer-p-tradicional&safe=active&client=firefox-b&filter=0&biw=1163&bih=641. Acesso em: 11 jan 2019.

PRATO CASEIRO. Disponível em: http://pratocaseiro.blogspot.com/ 2014/05/chourico-burguer.html. Acesso em: 12 maio 2014.

RIO-TORTO, Graça. Blending, cruzamento ou fusão lexical em português: padrões estruturais e (dis)semelhenças com a composição. Filologia e Linguística Portuguesa, vol. 16 (1), p. 7-29, 2014.

RIO-TORTO, Graça. Formação de advérbios em -mente. In: RIO-TORTO, Graça (ed.) et al. Gramática derivacional do português. Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra. 2016. p. 391-409.

RIO-TORTO, Graça. Formação de palavras em português. Aspectos da construção de avaliativos. Dissertação de Doutoramento em Linguística Portuguesa. Universidade de Coimbra. Coimbra, 1993. 977 p. + VI. Disponível em: http://hdl.handle.net/10316/44236. Acesso em 31 jan de 2020.

RIO-TORTO, Graça (ed.) et al. Gramática derivacional do português. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2016.

RIO-TORTO, Graça. Morfologia lexical no português médio: variação nos padrões de nominalização. In: LOBO, Tânia et al. (Orgs.). ROSAE: linguística histórica, história das línguas e outras histórias. Salvador: EDUFBA, 2012. p. 305-322.

RIO-TORTO, Graça. Mudança genolexical: teoria e realidade. Linguística (Revista de Estudos Linguísticos da Universidade do Porto), vol. 3, nº 1, p. 224-240, 2008.

RIO-TORTO, Graça; Rodrigues, Alexandra. Formação de nomes. In: RIO-TORTO, Graça (ed.) et al. Gramática derivacional do português. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2016. p. 135-240.

SABOR FITNESS. Disponível em: http://kamaleao.com/post.php?id=BxVocXwnptH. Acesso em: 11 jan 2019.

SOLEDADE, Juliana. Semântica morfolexical. Contribuições para a descrição do paradigma sufixal do português arcaico. 2 tomos. Doutoramento em Letras, área de Linguística Histórica, Universidade Federal da Bahia (orientação Rosa V. Mattos e Silva; Graça RIO-TORTO), 2004.

SOLEDADE, Juliana. Experimentando esquemas: um olhar sobre a polissemia das formações [Xi -eir-]nj no português arcaico. In: GONÇALVES, Carlos; ALMEIDA, Maria Lúcia Leitão (org.) Diadorim, múmero especial de Homenagem a Margarida Basílio, p. 83-111, 2013.

ŠTEKAUER, Pavol; VALERA, Salvador; KÖRTVÉLYESSY, Lívia. Word-Formation in the World’s Languages: A typological survey. Cambridge: Cambridge University Press. 2012.

TERMNEO. OBSERVATÓRIO DE NEOLOGISMOS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO. Disponível em: http://www.fflch.usp.br/dlcv/neo/dados_termneo.php. Acesso em: 24 agos 2013

TRAUGOTT, Elizabeth. Revisiting subjectification and intersubjectification. In: DAVIDSE, Kristin; VANDELANOTTE, Lieven; CUYCKENS, Hubert (eds.). Subjectification, Intersubjectification and Grammaticalization. Berlin: De Gruyter Mouton, 2010. p. 29-70.

ZEN BURGUER PORTO. Disponível em: https://www.instagram.com/zenburgerporto/. Acesso em: 11 jan 2019.




DOI: https://doi.org/10.24206/lh.v6i3.33323

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 Graça Rio-Torto

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

Licença Creative Commons

LaborHistórico | ISSN 2359-6910

A Revista LaborHistórico da Universidade Federal do Rio de Janeiro está licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.