De 'toxicomania' a 'dependência química': uma análise na perspectiva da lexicologia sócio-histórica

André de Sousa Figueiredo Freitas, Bárbara Vieira de Oliveira, Daiane Soares Bertolino, Leopoldina Aparecida Lopes, Mayta Ferreira Machado, Vinícius Ramede de Paula Pinto, César Nardelli Cambraia

Resumo


O presente estudo teve como objetivo analisar os itens lexicais toxicomania e dependência química no português, cujo sentido tem como ideia central “consumo contínuo ou periódico de substância psicoativa”. Esta análise se baseou nos pressupostos teóricos da lexicologia sócio-histórica (CAMBRAIA, 2013). Do ponto de vista metodológico, a análise foi realizada com base nos 100 lexemas mais frequentes de dois corpora compostos de textos extraídos do Jornal do Brasil: um da década de 1970 para toxicomania e outro da década de 2000 para dependência química. Testaram-se três hipóteses, que foram efetivamente confirmadas: (a) a diferença entre toxicomania e dependência química está relacionada ao tipo de substância consumida; (b) a relação entre toxicomania por dependência química foi influenciada pela recomendação terminológica da OMS em 1974; e (c) a diferença entre toxicomania e dependência química reflete diferentes visões sobre a questão.


Palavras-chave


Lexicologia. Linguística Histórica. Terminologia. Saúde Pública.

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DOI: https://doi.org/10.24206/lh.v6i3.31526

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